sábado, 16 de janeiro de 2010

Apresentação de mais um "doente" da nossa marca!

Recebemos há uns um pedido de adesão de mais um entusiasta e não poderíamos imaginar a verdadeira "devoção" que demonstrou pela nossa marca favorita e pelo Elise S1 em particular. Não resisti em partilhar a sua apresentação ao clube pois, embora longa, é digna de merecer a atenção dos verdadeiros devotos da marca.

"(...)
Quanto à minha pessoa pouco há a dizer para além de ter 43 anos de idade, ser casado, ter um filho, residir no norte de Portugal, em Vila Nova de Famalicão, ser advogado de profissão e ser completamente doente por tudo o que meta parafusos, pistões e quatro rodas, em especial carros da indústria automóvel genuina Inglesa. Doença que só se agravou com a presença em onze edições da semana das 24 horas de Le Mans de carros de sport - este "remédio" apesar de ser muito forte, só tem agravado o meu estado "clinico".

Mas vamos ao Lotus, que é o que lhes interessa.
Depois de estabilizar a minha vida pessoal e profissional, resolvi no decurso do ano de 2009 tomar um remédio mesmo forte. Claro que estamos a falar do Lotus Elise S1. Um carro genuinamente inglês, uma das melhores peças da Lotus, um carro relativamente barato, pelo qual tenho muito apreço, juntamente com modelos dos bons anos da Jaguar. Trata-se de um carro com um chassis do melhor que o mundo automóvel já produziu, 100% Lotus, totalmente afinável de suspensão, motor e caixa e, para mim, por ser o Serie 1, o mais bonito e genuíno Elise, estando equipado com um dos melhores motores da indústria automóvel - o motor K 1.8 todo em alumínio. Para além de ser o mais característico Elise da Lotus, ainda se torna mais fabuloso por não ter ABS, AC, direcção assistida, servo-freio, airbags e outros equipamentos piro técnicos, fecho central, vidros eléctricos, controlos de travagem e de suspensão, ou outras "mariquices" que poluem a indústria automóvel actual. Trata-se de um fabuloso carro manual, equipado com o melhor que a indústria automóvel produz em termos de segurança passiva, ou seja: excelentes chassis, travões, suspensão, direcção e relação peso/potência. Não foi à toa que o Lotus Elise nasceu para as pistas e, por acaso (e sorte para os Lotistas) acabou por ter direito a usar matrículas e circular na via pública. Para além disso, constitui um carro barato de usar e manter e é 100% evolutivo - tudo vai do dinheiro que cada um pretender investir na máquina. Ou seja, mesmo que as minhas possibilidades económicas fossem outras, a minha opção seria sempre esta - estamos a falar de um mini F1 com matrículas.

Vai daí, toca a consultar os sites ingleses da especialidade, na busca da máquina ideal, que, na minha opinião constituem os melhores locais para procurar este modelo, pois a cultura da honestidade é muito grande, os carros têm poucos kms, os preços são muito em conta e os Elises normalmente já vêm bem recheados de extras sport e upgrades mecânicos. Por outro lado, o facto destes carros, originalmente ingleses, terem volante à direita não constitui problema, pois a conversão para a direita é simples e barata e a mecânica para mim não tem segredos. Depois de muita troca de e-mails, sempre com vendedores particulares e alguns negócios falhados, dada as ultrapassagens da enorme concorrência mundial de outros interessados/compradores (porque não é facil fazer negócios destes a cerca de 2000 kms de distância), lá consegui cativar a simpatia de um proprietário Londrino, estabelecer contactos, pedir-lhe fotos, referências e documentos do carro, negociar o Elise e o preço e marcar dia e hora para lhe aparecer a casa para concretizar o negócio. Só para terem ideia da concorrência para comprar este meu Elise, em menos de uma hora do anúncio de venda ter entrado na Internet já eu estava a estabelecer contacto com o proprietário/vendedor. Mas o Inglês foi do melhor, deu-me sempre prioridade, pelo facto de eu ter feito o primeiro contacto, negociou o carro ao longo de 2/3 semanas, acertou o negócio em palavra, sem receber qualquer sinal e ainda me foi buscar ao aeroporto aquando da minha chegada a Londres, sempre e só por contacto de correio electrónico.(...)

Depois, bem, foi o concretizar de muitos sonhos de longa data: fazer o primeiro voo comercial, estar em Inglaterra e Londres pela primeira vez, comprar e conduzir um Lotus/Elise pela primeira vez, conduzir com volante à direita e em Inglaterra (que tem que se lhe diga - ao menos só foi de Londres para Dover) e fazer a travessia por ferry do Canal da Mancha, pois trouxe o carro de Londres para Portugal por estrada. Já no Continente, a aventura prosseguiu, com uma viagem sem quaisquer problemas, embora pagar as portagens das auto-estradas num Elise, mesmo com o recurso a acompanhante, seja um momento verdadeiramente hilariante (demos graças por termos Via Verde). A sua passagem é um acontecimento em qualquer lado, embora haja, infelizmente, quem o confunda com essa marca italiana que só faz carros caros e maus - mas há que ter paciência. A propósito, embora o carro tenha vindo sem catalisador, revelando-se mais ruidoso, mostrou-se muito confortável, mesmo para uma viagem de Londres-Portugal (claro que não se pode dizer isto ao português tipico, que só gosta do status de possuir um Mercedes/Audi/BMW e C.ª, ou seja, meros electrodomésticos com quatro rodas). A sua direcção, suspensão e comportamento em estrada realmente não têm igual - salvo, é claro, os LMPs que serpenteiam as rectas e curvas de Le Mans a roçar os 360-380 kms/hora, mas isso, infelizmente, não é para mim pois para isso é preciso mesmo muitos euros. Chegado a Portugal foi tratar da legalização e demais procedimentos para obter documentos e matriculas nacionais, ou seja, pagar, pagar e pagar, que, pelos actuais impostos é dinheiro demais - aliás, fazendo Portugal parte da CE trata-se de um verdadeiro insulto à inteligência do cidadão nacional. Quanto ao Elise que comprei, trata-se de um Serie 1 normal, de 1999, com 70.000 milhas, cor Azure Blue, com os seguintes extras: suspensão do Série 2 (Bilstein/Eiback), panela de escape em inox da Janspped, de-cat pipe (tubo directo que substitui o catalisador), kit de indução da Hurricane, corpo de acelerador em metal de 52 milímetros, jantes Victory, radiador de água reforçado 100% alumínio e um auto-rádio todo XPTO (extra que os ingleses adoram mas que num Elise serve para pouco e só faz peso). Neste momento o Elise está a sofrer uma revisão total, para remover o salitre das estradas inglesas e devolver-lhe a saúde mecânica de fábrica e a converter o volante para a esquerda, pelo que, quanto a fotos mando apenas estas. Vai ainda levar uns upgrades de direcção e de admissão e escape, para pôr o motor K a respirar a sério e conseguir envergonhar de vez os CDIs e TDIs - como disse de início, nestes Elises é fácil "cultivar" a potência e a performance mesmo sem mexer no motor propriamente dito. Depois desta prosa toda penso ter satisfeito a curiosidade do Club, embora estou convencido que, tal como eu, chegando-se à parte dos parafusos e upgrades as interrogações são mais que muitas e a vontade de conversar nunca mais acaba. De qualquer modo aqui estarei, disponível para mais desenvolvimentos e relatos (caso pretendam postar o conteúdo deste e-mail no site do Club estão à vontade)."

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9 comentários:

Marcos disse...

Olá.
Já agora, seria interessante ter uma ideia de quanto custa a legalização e quanto custa a conversão de RHD para LHD.

Rui Coelho disse...

Caro Marcos,

É um assunto ao qual voltaremos em breve pois sabemos ser do interesse de muitos entusiastas. Estou neste momento a preparar um artigo sobre peças mas aconselho desde já que leia o artigo http://clublotusportugal.blogspot.com/2009/10/conversoes-rhd-lhd.html

Anónimo disse...

Boa tarde.
Vai ser bom ver mais Elises em Portugal. Tenho um 111S e estou neste momento a acabar a conversão RHD para LHD. Em peças gasta-se aproximadamente 1400€. Custos de legalização, uns 4000€.
Reparei que não tirou a bola da manete da caixa de velocidades. A forma de o fazer passar por "morder" a mesma com um grande alicate e uns 4mm de borracha para não ferir o metal. Isto acontece porque a Lotus usou cola em demasia nalguns carros.
Para peças recomendo que as mande vir de www.elise-parts.com pois já têm um Kit preparado para a conversão.
Qualquer coisa que precise, envie-me um mail para jblattmann@gmail.com
1 abraço

Ivo Azevedo disse...

Revi-me completamente na tua prosa...exceptuando a parte dos italianos caros e maus...tu sabes porquê!...
Excelente descrição da tua "doença"...Quem tem o prazer de ser teu amigo, como eu, fica verdadeiramente feliz por ti. Agora, deixa-te de "escritos" e toca a montar a máquina...Lá para o fim de Março estou por aí para o "shakedown"! Abraço.

Jorge disse...

já agora quanto custou a legalização ?

Rui Coelho disse...

Não sei se o Albino terá oportunidade de se aperceber deste comentário mas posso já adiantar que deverá ter rondado os €3.700. Em breve haverá um artigo neste blog sobre este assunto!

Miguel Oliveira disse...

Mas que grande testemunho. Parabéns pelo seu novo "brinquedo" e espero que ao longo destes meses tenha curtido bastante o seu Lotus.

Um abraço de alguém que está em pulgas para receber igualmente um Elise vindo do UK (só faltam três semanas). :D

Rui Coelho disse...

Oh Miguel, isso já está assim tão adiantado?! Deixaste de dar novidades sobre o caso. O Arif tem-se portado bem? :)

Miguel Olilveira disse...

Tem-se portado muito bem Rui. :) Para a próxima semana vai ser carregado e deverá chegar a Portugal dentro de 3 semanas (a contar de hoje). ;)

Também já conheci ("on-line") o Yvo Tuk que também já se disponibilizou para ajudar no que for necessário para fazer a conversão. :) Claro, ele quer é vender he he, mas mesmo assim pareceu-me um tipo muito porreiro.


Um abraço,